Nossa comunidade foi fundada em Campinas em 10 de julho de 1870 e experimentamos a presença e direção do Senhor nestes 148 de existência.

No entanto, os alicerces desta história se iniciaram muito antes disso.  Somos herdeiros da tradição dos apóstolos; nosso início está na vida e obra de Jesus. Na história mais recente, também somos herdeiros do movimento chamado Reforma Protestante, no século XVI, liderado pelo monge alemão Martinho Lutero. Na Suíça, um ramo deste movimento – denominado Reformado, foi liderado por Ulrico Zuínglio, em Zurique, e João Calvino, em Genebra. Esse movimento veio a caracterizar-se por certas concepções teológicas e formas de organização eclesiástica que o distinguiram de todos os outros grupos protestantes (luteranos, anabatistas e anglicanos).

João Calvino foi o mais articulado e profundo dentre os reformadores e escreveu a obra Instituição da Religião Cristã ou Institutas. Esta obra baseou o Calvinismo, que é o sistema de teologia que resulta de uma interpretação cuidadosa e sistemática das Escrituras, e tem como um de seus principais fundamentos a noção da absoluta soberania de Deus como criador, preservador e redentor. O calvinismo não é somente um conjunto de doutrinas, mas inclui concepções específicas a respeito do culto, da liturgia, do ministério, da evangelização e do governo da igreja.

Os cristãos reformados das Ilhas Britânicas (Escócia, Inglaterra e Irlanda) definiram o sistema Presbiteriano de liderança da igreja, isto é, o governo por presbíteros eleitos pela comunidade e reunidos em concílios, de forma democrática e autônoma. Na Inglaterra, o parlamento puritano convocou a Assembleia de Westminster (1643-49), que produziu os “padrões presbiterianos” de culto, forma de governo e doutrina (Confissão de Fé e Catecismos).

Das Ilhas Britânicas, o presbiterianismo foi para os Estados Unidos e dali para muitas partes do mundo, inclusive o Brasil, com o pioneiro Rev. Ashbel Green Simonton.

 

Simonton (1833-1867), nascido em West Hanover, na Pensilvânia, inicialmente pensou em ser professor ou advogado. Alcançado por um reavivamento em 1855, fez sua profissão de fé e pouco depois ingressou no Seminário de Princeton. Um sermão pregado por seu professor, o famoso teólogo Charles Hodge, levou-o a considerar o trabalho missionário no estrangeiro. Três anos depois, candidatou-se perante a Junta de Missões da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, citando o Brasil como campo de sua preferência. Dois meses após a sua ordenação, embarcou para o Brasil, chegando ao Rio de Janeiro em 12 de agosto de 1859, aos 26 anos de idade.
Em abril de 1860, Simonton dirigiu o seu primeiro culto em português; em janeiro de 1862, recebeu os primeiros membros, sendo fundada a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. No breve período em que viveu no Brasil, Simonton, auxiliado por alguns colegas, fundou o primeiro jornal evangélico do país (Imprensa Evangélica, 1864), criou o primeiro presbitério (1865) e organizou um seminário (1867). O Rev. Simonton morreu vitimado pela febre amarela aos 34 anos, em 1867 (sua esposa, Helen Murdoch, havia falecido três anos antes).

 

 

Em 1869 chegaram ao Brasil os missionários americanos voluntários George N. Morton e Edward Lane. Eles fixaram-se em Campinas, região onde havia muitas famílias norte-americanas que vieram para o Brasil após a Guerra Civil no seu país (1861-65). Em 10 de julho de 1870, Morton e Lane fundaram a Igreja Presbiteriana de Campinas.

Em setembro de 1888 foi organizado o Sínodo da Igreja Presbiteriana do Brasil. O Sínodo compunha-se de três presbitérios (Rio de Janeiro, Campinas-Oeste de Minas e Pernambuco) e tinha vinte missionários, doze pastores nacionais e 59 igrejas. Nesse período a denominação expandiu-se grandemente, com muitos novos missionários, pastores brasileiros e igrejas locais.

No entanto, em 1902 o debate da autonomia da igreja brasileira em relação aos EUA, bem como a questão da maçonaria (considerada incompatível com a fé cristã por muitos) veio trazer conflito para a denominação. Após pouco mais de um ano de debates acalorados, a crise chegou ao seu desfecho em 31 de julho de 1903, durante a reunião do Sínodo, quando um grupo de 7 pastores e 11 presbíteros, liderados pelo Rev. Eduardo Carlos Pereira, se desligaram da Igreja Presbiteriana para fundar a “EGREJA PRESBYTERIANA INDEPENDENTE BRAZILEIRA”, segundo a ortografia da época. No dia seguinte, 1 de agosto, organizaram-na oficialmente em “Presbitério Independente”.

Eduardo Carlos Pereira nasceu em 1855. Em 1875 fez sua pública profissão de fé, na Igreja Presbiteriana de São Paulo, perante o Rev. G. Chamberlain. Cinco anos depois, iniciou sua carreira ministerial na cidade de Campanha, estado de Minas Gerais. Em 1884, juntamente com Remígio Cerqueira Leite, fundou a Sociedade Brasileira de Tratados Evangélicos, visando a publicação de opúsculos para evangelização e disseminação do protestantismo. Nessa Sociedade já estava, em embrião, tudo aquilo que Eduardo Carlos Pereira representaria para o presbiterianismo brasileiro.

Em 1886, o Rev. Eduardo escreveu sobre “A religião cristã e suas relações com a escravidão”. Nessa época o problema da libertação dos escravos estava sendo discutido no Brasil. A obra lançada pela Sociedade mostrava que a Igreja não se omitia, mas tinha uma contribuição a dar à sociedade brasileira, sugerindo respostas para os seus problemas.

No mesmo ano, também formulou um ambicioso plano de Missões Nacionais, aprovado pelo seu Presbitério. Nessa época, em que todo o trabalho evangélico no Brasil dependia do dinheiro e das resoluções que vinham de fora, sua voz se levantara para defender missões nacionais, pensamento teológico voltado para assuntos nacionais, sustentação da Igreja por recursos financeiros nacionais.

Em 1888, a Primeira Igreja Presbiteriana de São Paulo elegeu o Rev. Eduardo Carlos Pereira como pastor, dispensando o trabalho missionário.

A IPIB nasceu pequena. No entanto, o fervor inicial, que era muito grande, propiciou à Igreja um crescimento muito expressivo. Em pouco mais de dez anos, a nova Igreja quase alcançou o mesmo número de membros da Igreja Presbiteriana, da qual saíra em 1903.

Nossa comunidade, na época Igreja Presbiteriana de Campinas, acompanhou o Rev. Eduardo Carlos Pereira, vindo a denominar-se Igreja Presbiteriana Independente de Campinas.

Nestes 148 anos de história, nossa comunidade passou por momentos em que experimentou de modo muito intenso o amor, a graça e a misericórdia do Senhor. Através dela formaram-se outras igrejas na cidade e missionários foram apoiados local e transculturalmente, em recursos materiais e espirituais. Também temos visto a ação do Senhor na sociedade de Campinas através de projetos sociais apoiados pela nossa igreja – Colégio Presbiteriano “Edward Lane” e Lar Evangélico “Alice de Oliveira”.

Ao longo destes anos, continuamos buscando uma vida pessoal e comunitária centrada em Deus Pai, em Jesus Cristo e no Espírito Santo, pautados pela Bíblia que é a Palavra viva de Deus. E acima de tudo, o Evangelho do Senhor Jesus Cristo – a boa notícia da salvação conquistada por Cristo na cruz e oferecida de forma graciosa e amorosa a todos nós – tem sido proclamado a cada encontro nesta igreja e muitos têm se unido a esta comunidade de fé e amor!

Fontes consultadas:
História do Presbiterianismo – Alderi Matos – Fonte: http://www.mackenzie.br/7061.html?&L=0
História da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil – Fonte: http://www.ipib.org/escritorio-central/nossa-historia
Historia da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil – Fonte: https://ipibjacatirao.wordpress.com/historia-da-igreja-presbiteriana-inependente-do-brasil/