EDUARDO CARLOS PEREIRA E A IPI DO BRASIL

Eduardo Carlos Pereira nasceu em 1855. Em 1875 fez sua pública profissão de fé, na Igreja Presbiteriana de São Paulo, perante o Rev. G. Chamberlain. Cinco anos depois, iniciou sua carreira ministerial na cidade de Campanha, estado de Minas Gerais. Em 1884, juntamente com Remígio Cerqueira Leite, fundou a Sociedade Brasileira de Tratados Evangélicos, visando a publicação de opúsculos para evangelização e disseminação do protestantismo. Foi assim que apareceu em 1886 o trabalho do próprio Rev. Eduardo sobre “A religião cristã e suas relações com a escravidão”. Nessa época o problema da libertação dos escravos estava sendo discutido no Brasil. A obra lançada pela Sociedade mostrava que a Igreja não se omitia, mas tinha uma contribuição a dar à sociedade brasileira, sugerindo respostas para os seus problemas.

Em 1886, o Rev. Eduardo Carlos Pereira formulou um ambicioso plano de Missões Nacionais, aprovado pelo seu Presbitério, com os seguintes propósitos: 1) Despertar a consciência nacional para as responsabilidades da obra missionária; 2) Sustentar com dinheiro brasileiro os pastores, evangelistas, professores e estudantes ao ministério; 3) Publicar a “Revista das Missões Nacionais”. Nessa época, em que todo o trabalho evangélico no Brasil dependia do dinheiro e das resoluções que vinham de fora, sua voz se levantara para defender missões nacionais, pensamento teológico voltado para assuntos nacionais, sustentação da Igreja por recursos financeiros nacionais. Eduardo Carlos Pereira era uma manifestação de que já tínhamos no Brasil um presbiterianismo forte, um presbiterianismo adulto, um presbiterianismo que não precisava ser tutelado. Com o correr do tempo foi se formando um corpo de pastores brasileiros. E a complicação do Presbiterianismo brasileiro aumentou. Nem sempre os pastores nacionais estavam de acordo com a forma de trabalho dos missionários estrangeiros (…)

Na noite de 31 de julho de 1903, um grupo de 7 pastores e 11 presbíteros deixou a reunião do Sínodo (da então Igreja Presbiteriana do Brasil), liderados pelo Rev. Eduardo Carlos Pereira, para fundar a “EGREJA PRESBYTERIANA INDEPENDENTE BRAZILEIRA”, segundo a ortografia da época. No dia seguinte, 1 de agosto, organizaram-na oficialmente em “Presbitério Independente”. A IPIB nasceu pequena. No entanto, o fervor inicial, que era muito grande, propiciou à Igreja um crescimento muito expressivo. Em pouco mais de dez anos, a nova Igreja quase alcançou o mesmo número de membros da Igreja Presbiteriana, da qual saíra em 1903. Era tão impressionante esse crescimento e tão significativo esse fervor que a IPIB ganhou um carinhoso apelido: “Igrejinha dos milagres”! O estudiosos apontam duas principais razões para este crescimento: 1) O deslocamento de crentes para outras regiões do país – no início do século XX muitas famílias mudaram-se para novas regiões de povoamento, particularmente em partes do Estado de São Paulo, Minas e Paraná. Isso levava a mensagem evangélica junto com as famílias migrantes; 2) A evangelização propriamente dita sem dúvida, diante da necessidade do anúncio do evangelho, os primeiros presbiterianos independentes eram muito fervorosos, trazendo muitas pessoas, em especial parentes e vizinhos.

(Institucional da IPI do Brasil)

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